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Sistema +Entregas do iFood: o que é, quem protesta — e o que a empresa responde

O sistema de agendamento por subpraça gerou protestos em SP, Curitiba, Recife, Fortaleza e BH. Este texto apresenta o que é o +Entregas, o que dizem os que protestam e o que diz o iFood — sem tomar partido.

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DELIVERY – IFOOD E MODELOS DE TRABALHO

Em setembro de 2025, entregadores em São Paulo, Curitiba, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte pararam contra o sistema +Entregas do iFood. Em Campinas, a paralisacao durou tres dias. Em novembro, novos protestos ocorreram no Rio de Janeiro. O tema não saiu de pauta desde entao.

Este artigo apresenta o que e o sistema, o que dizem os que protestam, o que diz o iFood e o que dizem os especialistas juridicos — sem editorial de nossa parte. Os dados e as declarações estao nas fontes ao final.

O que e o sistema +Entregas

O +Entregas e uma modalidade de trabalho lancada pelo iFood em 2025 para operar em “subpracas” — regiões especificas de cada cidade. Segundo a empresa, o funcionamento e o seguinte:

Como funcionaO entregador agenda um periodo de 3 horas de trabalho em uma região especifica da cidade
Remuneracao no modeloValor fixo por hora disponível + adicional por cada entrega concluida
Limite de recusasMaximo de 2 rotas canceladas ou rejeitadas por periodo agendado
PrioridadeQuem aderiu ao +Entregas recebe prioridade nos pedidos daquela região em relacao a quem não participa
ParticipacaoO iFood afirma que o modelo e opcional. Protestos contestam esse carater voluntario.

Os modelos anteriores — contexto importante

O +Entregas não surgiu do nada. O debate sobre modelos de trabalho no iFood vem de antes:

Modelo “nuvem” (independente): o entregador se cadastra no iFood e define por conta propria horarios, região e pedidos. Nao ha vinculo com terceiros. E o modelo de maior autonomia.

Operador Logistico (OL): os entregadores eram subordinados a uma empresa terceirizada (operadora logistica), que controlava pagamentos e rotina. Os profissionais trabalhavam como MEI. O iFood afirmou que não opera mais com esse modelo.

EntreGo (franquia logistica): o modelo que substituiu o OL. E uma franqueadora de servicos logisticos do proprio grupo iFood. Para entrar, o entregador precisa abrir CNPJ e ser registrado como MEI.

O que dizem os que protestam

Alexandre Moizinho, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos (Agência Brasil, nov/2025):

“Uma das reivindicacoes dos trabalhadores ha um tempo e o aumento da taxa minima paga pelo iFood de sete para dez reais. Tudo aumentou: gasolina, manutencao das bicicletas e motos. E o lucro do iFood so aumenta a cada ano. Nessa nova modalidade, as taxas podem cair para R$ 3,30.”

Entregador Bruno de Souza, 37 anos, 4 anos de iFood (Agência Brasil, nov/2025):

“Quem trabalha de forma independente, o aplicativo disponibiliza menos entregas. As que aparecem normalmente são mais longas. Isso tudo e feito para obrigar Você a entrar para essas outras modalidades.”

“E uma relacao sem beneficio algum. Eu mesmo agora estou com uma hernia de disco, muitas dores no pe e perdi muita mobilidade. Nos ultimos dias, não consegui trabalhar. E não tenho assistencia, não posso acessar o INSS.”

Entregador identificado como “Mister” (Brasil de Fato / SindPD Ceara, set/2025):

“O entregador tem que agendar um horario na plataforma, ficar online e ali recebe prioridade nos pedidos daquela região, so que tem varios problemas por tras. Para o entregador que não conseguir agendar, aquele dia esta perdido porque as entregas serao de preferencia de quem agendou. Isso de certa forma prejudica todos que dependem do aplicativo para levar o sustento para dentro de casa.”

Posicao juridica — advogado trabalhista Hugo Ottati (Brasil de Fato, set/2025):

“O iFood impoe nesse momento uma modalidade que amplia a submissão [dos entregadores] ao controle da plataforma, prevendo meta, horario fixo, area de restricao.”

Acao legislativa: os vereadores do Rio Thais Ferreira e Rick Azevedo (PSOL) formalizaram denuncia ao MPT-RJ pedindo apuracao de irregularidades trabalhistas. Segundo o documento, as condicoes impostas no +Entregas configuram controle de jornada, subordinacao direta e imposicao de metas — deveres proprios da CLT, sem os direitos correspondentes.

Em Campinas (SP), entregadores paralisaram por tres dias contra a modalidade. Novos breques foram sinalizados em outras cidades.

O que diz o iFood

Em nota enviada a Agência Brasil (nov/2025), o iFood afirmou:

A empresa respeita o direito a manifestacao pacifica e a livre expressão dos entregadores e entregadoras. O +Entregas e opcional, com implementacao gradual. A empresa monitora resultados para ajustar o modelo e mante-lo competitivo.

Em nota institucional mais ampla publicada no site do iFood sobre paralisacoes anteriores (mar/2025):

“Desde 2022, o iFood teve um reajuste acumulado de 22,4% no valor da taxa minima por entrega — quase o dobro dos 11,8% de inflacao acumulada medidos pelo INPC entre abril de 2022 e fevereiro de 2025.”

“[Os entregadores] podem ligar e desligar o aplicativo a seu criterio, decidir o local onde oferecerec seus servicos, rejeitar entregas que não considerem favoraveis, sem qualquer penalidade, e escolher a rota de entrega que considerarem mais adequada.”

Sobre o modelo EntreGo, a empresa afirmou que surgiu de “uma demanda dos proprios entregadores” e que o objetivo e oferecer “entregas seguras, com uma gestao padronizada e de maior qualidade”.

Sobre o modelo de OL, o iFood confirmou que não opera mais com ele.

O contexto das taxas

Taxa minima moto/carro (desde jun/2025)R$ 7,50 por entrega — aumento de 15,4% sobre o valor anterior
Taxa minima bicicleta (desde jun/2025)R$ 7,00 por entrega — aumento de 7,7% sobre o valor anterior
Taxa contestada pelos protestosR$ 3,30 — valor que manifestantes afirmam ser possivel no +Entregas em horarios de baixa demanda
Taxa reivindicada pela categoriaR$ 10,00 por entrega + R$ 2,50 por km adicional

Fontes: Agência Brasil (nov/2025) · Brasil de Fato (set/2025) · SindPD Ceara (set/2025) · News Rondonia (nov/2025) · UAI Noticias (mai/2025) · iFood Institucional (posicionamento sobre paralisacoes) · Camara dos Deputados (PLP 152/2025) · Clicportela (nov/2025)

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