O que o IBGE fez: a série de mapas decoloniais de 2024 a 2026 e a projeção Equal Earth
Em três anos consecutivos, o IBGE lançou mapas que colocam o Brasil no centro, invertem o eixo Norte-Sul e adotam a projeção Equal Earth. Entenda cada escolha e o que está por trás delas.
Em maio de 2026, no Palacio do Itamaraty em Brasilia, o IBGE lancou seu terceiro mapa-mundi consecutivo com caracteristicas que desafiam o padrao cartografico tradicional. Nao foi acidente. Foi a conclusão de uma serie deliberada de escolhas que comecou em 2024.
A serie em tres atos
2024 — O Brasil no centro (G20)
O primeiro mapa da serie saiu em 2024, durante a presidencia do Brasil no G20. A novidade era colocar o Brasil no centro do mapa-mundi — uma inversão da centralidade europeia que marcou a cartografia ocidental por seculos. O eixo Norte-Sul permanecia no padrao convencional.
2025 — O mapa invertido (COP30 e Brics)
O segundo mapa adicionou a inversão Norte-Sul: o hemisferio Sul passa para o topo. Para o presidente Marcio Pochmann, era um gesto que desafiava “seculos de visão eurocentrista”. Para os criticos, foi o passo que cruzou a linha entre cartografia tecnica e afirmacao politica explicita.
2026 — Riqueza de Especies e Equal Earth (90 anos do IBGE)
O terceiro mapa combina todas as escolhas anteriores e adiciona a projecao Equal Earth — um avanco técnico que representa os continentes em proporcoes corretas. Lancado no inicio das comemoracoes dos 90 anos do instituto, a publicacao reuniu mais de 20 representacoes diplomaticas no Itamaraty.
Pochmann definiu o conjunto da serie: “O IBGE transforma a cartografia em afirmacao politica e civilizatoria, pois coloca o Brasil no centro, inverte o eixo Norte-Sul e revela os continentes em proporcoes reais.”
O que e a projecao Equal Earth
A Equal Earth e uma projecao cartografica criada em 2018 pelos pesquisadores Boján Savrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny. O objetivo declarado era desenvolver um mapa-mundi que apresentasse os continentes em areas proporcionais corretas, fosse visualmente agradavel e pudesse substituir o Mercator em contextos educacionais.
Diferente de outras projecoes equal-area mais antigas — como a Peters, que distorce as formas de forma agressiva — a Equal Earth mantem as formas dos continentes relativamente reconheciveis enquanto corrige as proporcoes. E esse equilibrio que fez a comunidade cartografica acolhe-la bem.
O contexto politico da serie
Os tres mapas não surgiram do nada. Cada um acompanhou um momento de protagonismo internacional do Brasil: a presidencia do G20 em 2024, a presidencia do Brics e do Mercosul em 2025 com a COP30 em Belem, e os 90 anos do IBGE em 2026.
Ao lancar os mapas em eventos diplomaticos de alto nível — o de 2026 foi lancado no proprio Itamaraty, reunindo representantes de mais de 20 paises — o IBGE sinalizou que a intencao era tambem de politica externa e afirmacao de posicao geopolitica, não apenas de inovacao cartografica.
Leia tambem: O debate completo: o que dizem especialistas, cartografos e os proprios servidores do IBGE
Fontes: IBGE Agência de Noticias (4/mai/2026) · Lojá IBGE · Correio Braziliense (mai/2026) · Acessa.com (mai/2026) · Sindpd (mai/2025) · Pardal Tech (mai/2026) · Equal Earth Projection — Boján Savrič, Tom Patterson, Bernhard Jenny (2018)

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