Dossiê 2026: quem é quem na corrida ao Planalto
Mini dossiê de cada candidato à presidência em 2026: trajetória, propostas centrais, pontos fortes e fracos e posição nas pesquisas.
São 12 pré-candidatos na corrida à presidência da República. Dos grandes ao nanismo eleitoral, cada um tem uma história e uma estratégia. Este dossiê apresenta o perfil de cada um — sem advogacia de lado nenhum, com os dados que as pesquisas mostram até maio de 2026.
Os candidatos principais
Luiz Inácio Lula da Silva — PT
Presidente da República (em exercício)
São Paulo / Brasília
Elegível — candidato à reeleição
Empate técnico com Flávio no 1º e 2º turno — ~45% no 2T (Datafolha)
Lula disputa seu quarto mandato presidencial aos 80 anos. Governou de 2003 a 2010 e retornou ao Planalto em 2023 após vencer Jair Bolsonaro por margem apertada. É o político mais experiente do campo e lidera uma ampla coalizão que vai do PT ao PSD.
Trajetória: Metalúrgico do ABC paulista, fundou o PT em 1980. Perdeu três eleições presidenciais antes de vencer em 2002. Passou 580 dias preso em Curitiba por condenação posteriormente anulada pelo STF.
Propostas centrais: continuidade do Bolsa Família e programas sociais, aumento do salário mínimo acima da inflação, política industrial ativa e agenda ambiental com redução do desmatamento.
Vulnerabilidade eleitoral: Lula é o candidato mais rejeitado nas pesquisas — todos os institutos confirmam isso. A desaprovação do governo chega a 60% em estados do Sul e Centro-Oeste. Sua aprovação é sólida no Nordeste e no Pará, mas fraca onde o eleitorado é mais conservador.
Ponto de atenção: a saúde do presidente é tema recorrente no debate público. Em dezembro de 2024 passou por cirurgia de emergência. A questão da sucessão interna — caso não pudesse concluir o mandato — também aparece nos bastidores do PT.
Flávio Bolsonaro — PL
Senador pelo Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
Elegível — candidato confirmado
Empate técnico com Lula — ~45% no 2T (Datafolha)
Flávio é o filho mais velho de Jair Bolsonaro e herdou oficialmente a missão de dar continuidade ao “projeto de nação” do pai. Anunciou a pré-candidatura em dezembro de 2025, após o ex-presidente o indicar publicamente.
Trajetória: Deputado estadual no Rio de Janeiro por vários mandatos, depois deputado federal e hoje senador. Carrega o sobrenome mais conhecido da política brasileira atual — com tudo que isso representa de capital e de peso.
Propostas centrais: redução do Estado, pauta liberal na economia, agenda conservadora nos costumes, defesa das forças de segurança e críticas ao STF. O programa ainda está em construção e tende a se aproximar do que o governo Bolsonaro defendeu entre 2019 e 2022.
Vulnerabilidade eleitoral: é o segundo candidato mais rejeitado nas pesquisas, logo após Lula. Carrega o desgaste do governo anterior — que terminou com uma tentativa de golpe investigada pela Polícia Federal. Seu pai está preso e inelegível. Isso motiva a base, mas afasta o eleitor de centro.
Ponto de atenção: em maio de 2026, um áudio vazou mostrando uma conversa de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio gerou ruído na imprensa. A maioria das entrevistas do Datafolha mais recente foi feita antes do vazamento — o efeito eleitoral ainda não está dimensionado.
Ronaldo Caiado — PSD
Ex-governador de Goiás (deixou o cargo para concorrer)
Goiás
Elegível — pré-candidato confirmado
Empate técnico com Lula em cenários de 2º turno (Datafolha)
Caiado é médico, ruralista histórico e deixou o governo de Goiás com aprovação de 84%. Migrou do DEM para o PSD e busca o espaço de terceira via de centro-direita.
Proposta central: gestão fiscal austera, pauta agropecuária forte, discurso de eficiência administrativa. Em Goiás, governou com equilíbrio orçamentário e privatizações. Quer replicar o modelo no nível federal.
Vulnerabilidade: fora de Goiás e do Centro-Oeste, é pouco conhecido. Nas pesquisas nacionais, aparece distante de Lula e Flávio. A estratégia de “terceira via” já fracassou em 2022 com outros candidatos.
Romeu Zema — Novo
Ex-governador de Minas Gerais
Minas Gerais
Elegível — candidatura oficial lançada em agosto de 2025
Empate técnico com Lula em 2º turno (Datafolha) — venceria em MG com margem expressiva
Zema governou Minas por dois mandatos com bandeira liberal e de corte de gastos. Empresário do varejo, é o candidato mais alinhado ao Partido Novo — o menor entre os com representação relevante.
Proposta central: Estado mínimo, privatizações amplas, equilíbrio fiscal, reformas estruturais. Foi o primeiro candidato formal a se declarar na disputa, ainda em 2025.
Vulnerabilidade: o Partido Novo tem estrutura pequena. Sem coligação robusta, Zema enfrenta desafios de tempo de televisão e capilaridade de campanha. A base dele é forte em Minas e entre eleitores de classe média urbana liberal, mas ainda não se projetou no Norte e Nordeste.
Os demais pré-candidatos
Aldo Rebelo (DC) — Ex-ministro e ex-presidente da Câmara. Lançou candidatura em jáneiro com críticas ao STF e defesa do equilíbrio entre os poderes. Poucas aparições nas pesquisas nacionais. Tem trajetória no PCdoB, depois migrou para o DC.
Augusto Cury (Avante) — Psiquiatra e escritor de best-sellers de autoajuda. Candidatura confirmada em abril de 2026 pelo Avante. Não aparece em pesquisas com percentual relevante. A estratégia parece ser de visibilidade e formação de capital político.
Renan Santos (Missão) — Liderança do Movimento Brasil Livre (MBL). Candidato pelo Missão, partido fundado pelo movimento e registrado no TSE em novembro de 2025. Aparece em alguns cenários das pesquisas, geralmente entre 1% e 3%.
Cabo Daciolo (Mobiliza) — Pastor e ex-militar. Candidato em 2018 com discurso religioso. Retornou à corrida presidencial. Apelo restrito ao eleitorado evangélico mais radical.
Ciro Gomes (PSDB) — Convidado pelo presidente do PSDB, Aécio Neves, para disputar a presidência. Recusou. Vai concorrer ao governo do Ceará. Aparece em alguns cenários de pesquisa apenas por ter sido testado pelos institutos.
Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) — Candidatos de partidos da esquerda radical. Disputam sem perspectiva de chegar ao segundo turno. Função declarada: marcar posição ideológica e garantir tempo de televisão para os partidos.
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Fontes: Datafolha (BR-00290/2026) · Genial/Quaest · Real Time Big Data (BR-03627/2026) · Gazeta do Povo · Jota.info · Pleno.News · AS/COA Poll Tracker · TSE

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